16º FISL

Passei alguns dias esse mês em terras gaúchas para a 16ª edição do FISL -- Festival Internacional de Software Livre -- maior evento do gênero na América Latina. A importância para o Laboratório é grande: usar, estudar, compartilhar e melhorar o código alheio está nas bases do trabalho colaborativo, que é um dos pilares do que nós fazemos. Nada melhor do que um evento sobre software livre para trocar algumas experiências! Claro que, como em qualquer evento de software livre que se preze, havia uma abundância de palestras técnicas. E que bom! Afinal, majoritariamente o público do evento são aquelas pessoas que trabalham nessas tecnologias livres. Eu me interessei mais pela trilha de tópicos emergentes (transparência e participação, em particular), mas também assisti a algumas valiosas palestras mais técnicas sobre desenvolvimento de software. Além de estar lá como participante, participei como palestrante em 2 painéis. O primeiro painel foi baseado no tema "Hackear é um estilo de vida". Foram três experiências bem diferentes trazendo o hackerismo a lugares não muito corriqueiros: na educação, em um barco e... no poder legislativo (nós!). Cada um teve um tempo (curto!) para relatar sua experiência. Falei sobre a experiência que tivemos com o Mapa Participativo (tivemos outro post sobre isso). Depois discutimos alguns pontos positivos e alguns empecilhos em cada um dos contextos. Saímos no blog do FISL, eles falaram sobre isso também. Também participei de um painel sobre plataformas para a democracia digital ("O software livre pode ajudar a democracia? Plataformas abertas para democracia digital"). O painel proporcionou um intercâmbio interessante de experiências diversas, dentre elas o Gabinete Digital do Rio Grande do Sul, o Participa.br, o Mapas Culturais, o portal de partipação do Ministério da Justiça e o Login Cidadão. Infelizmente houve pouco tempo de debate, visto que era grande o número de debatedores, mas talvez a diversidade das experiências foi o que mais trouxe riqueza. De nossa parte, falei sobre o e-Democracia (além de apresentar alguns projetos, como o Mapa Participativo, o Retórica Parlamentar (fruto do excelente trabalho de Davi Moreira, Manoel Galdino e Luis Carli) e o Meu Congresso Nacional (projeto do Kellyton Brito no primeiro Hackathon, mas continua sendo ativamente desenvolvido) . Levantei a bola no sentido de algo que tem nos incomodado: o e-Democracia precisa de uma reforma. Isso tem sido assunto constante de nossas conversas no Lab, e lá pareceu uma boa oportunidade para convocar pessoas interessadas. Depois do painel, fiquei conversando por um tempo com o Marco Amarelo, e chegamos à conclusão que nenhuma das plataformas de participação no Brasil (Pensando o Direito, Participa.br, e-Democracia) foram desenvolvidas em plataformas para a participação. Respectivamente, são empregados o Wordpress, o Noosfero e o LifeRay. Será que não está na hora de buscar tecnologias mais voltadas para os objetivos de participação, como, talvez, o Poplus? Ou usar frameworks como o Django, que permite um desenvolvimento rápido, facilitando a prototipação? Fica o debate, que será uma das importantes decisões que precisaremos tomar neste segundo semestre. Também na conversa com o Marco Amarelo, discutimos sobre uma possível integração entre as plataformas de participação. Não seria interessante uma integração entre os debates nas casas legislativas, como a Câmara e o Senado, e entre órgãos do Poder Executivo? Algumas lições aprendidas e observações:

  • Havia um espaço de hackerspaces, no qual infelizmente não pudemos estar efetivamente presentes e participando (eu era o único do LabHacker por lá). Mas queremos no ano que vem estar ali;
  • Assisti a uma palestra, "Desmistificando o PhoneGap", da Loiane Groner. Na palestra, ela falou sobre o PhoneGap e o Cordova. O PhoneGap é uma distribuição do Cordova, e ambos têm o mesmo objetivo: facilitar o desenvolvimento de apps móveis. O funcionamento é com base em tecnologias já bem conhecidas: HTML, CSS e JavaScript. Apesar de já ter conhecimento do PhoneGap, foi interessante vê-lo em ação. A grande vantagem de usá-lo é a redução da redundância de esforços: no modelo nativo de desenvolvimento, têm-se um grande esforço para cada plataforma implementada (devido à diversidade de IDEs, APIs, linguagens, etc.). Usando o PhoneGap, o esforço é reduzido a uma base de código comum compartilhada entre as plataformas, e apenas uma parte do código passa a ser desenvolvido nativamente. Trouxe o assunto às nossas reuniões no Laboratório e estamos fortemente considerando utilizá-las no futuro no desenvolvimento de aplicativos;
  • Uma observação interessante: uma participante (Fátima Conti) nos perguntou se estávamos satisfeitos com os números de participação (essa pergunta foi direcionada a todos que estavam apresentando). A resposta foi um "não" em unísono; temos um caminho a trilhar. É preciso divulgar, fazer com que as pessoas participem, melhorar os mecanismos de interação. Tudo isso precisa ser coordenado com a sociedade, e queremos que ela seja parte desse processo. Não apenas usando aquilo que é desenvolvido, mas interagindo com o desenvolvimento desde a fase conceitual;
  • O pessoal do Login Cidadão estava presente em peso no evento, e estamos antenados ao trabalho deles. Quem sabe não pode se tornar uma forma de autenticação no e-Democracia?;
  • O grupo que desenvolveu o projeto Radar Parlamentar, um dos projetos do 1º Hackathon da Câmara, esteve presente no evento. O Radar Parlamentar faz diversas análises, dentre elas a correlação entre as votações de cada partido ao longo do tempo. O projeto continua de vento em popa. Mas um empecilho apontado por eles são as votações simbólicas, nas quais não é possível obter o posicionamento individual de cada parlamentar.

Além dessas, vi várias novidades interessantes, uma palestra excelente sobre Web Semântica, outra sobre Bitcoin, impressoras 3D, experimentos com robótica, várias oficinas. Eis um experimento que me pareceu bem interessante: 2015-07-11 12.11.50    2015-07-11 12.12.01 Enfim, foi um evento bem proveitoso! Em 2016 queremos estar marcando presença lá em peso!  

Pedro Brandão

Pedro Brandão

Cientista da computação, apreciador de cervejas artesanais, das artes e de gastronomia. Servidor efetivo do Laboratório Hacker.

 

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