Debate sobre Dados Abertos do NIC.br

Estive na sede do NIC.br em São Paulo em março para participar de um evento sobre dados abertos e web semântica. Deveria ter blogado antes? Deveria! Mas antes tarde do que nunca. :-) O evento foi apresentado por dois especialistas britânicos dos assuntos: Antônio Acuña e Eleanor Stewart. Os dois têm credenciais: Antônio é chefe do data.gov.uk (sim, o portal de dados abertos da nação mais transparente, de acordo com o Global Open Data Index), e Eleanor é chefe de transparência do Foreign Commonwealth Office). Os dois apresentaram o histórico dos dados abertos no Reino Unido, e também expuseram algumas das dificuldades de implantá-lo:

  • A necessidade de conscientização dos diversos graus hierárquicos: tanto a alta direção quanto os níveis hierárquicos mais baixos precisam ter consciência da importância de disponibilizar dados abertos;
  • Os dados precisam vir acompanhados de documentação apropriada;
  • Sistemas, tanto digitais quanto manuais, precisam ser simplificados e aperfeiçoados para que dados possam ser prestados ao público com qualidade. Sobre esse ponto, Acuña exemplificou casos em que a informação sequer está digitalizada, ou em que se faz uso de sistemas arcaicos, ou mesmo está nas mãos de uma única pessoa. Processos precisam ser automatizados para que possa ser mensurada a qualidade, tal como é feito em modelos de maturidade;
  •  Acuña mencionou dificuldades em fazer uso de dados ligados. Dados ligados exigem que todo dado possua um endereço (URI) próprio e, assim, esses dados podem ser interligados. Essa abordagem aumenta substancialmente a utilidade dos dados abertos, facilitando a combinação de dados de bases diferentes. Esse também é o padrão máximo de qualidade conforme estabelecido por Tim-Berners Lee (http://5stardata.info/).

Depois da apresentação dos dois britânicos, fizemos um debate entre os participantes. Tinha gente de todo o governo de São Paulo, então foi um debate bastante rico. Levantamos alguns pontos que merecem consideração no contexto brasileiro:

  • O estreitamento da relação entre governo e universidades (inclusive cobrando que as universidades sejam fornecedoras de mais dados abertos!);
  • A necessidade da disseminação da cultura de dados. Acuña frisou que independentemente da percepção do órgão público acerca da utilidade dos dados, eles devem ser publicados. Na medida do possível, deve-se priorizar os dados mais úteis, mas nenhum dado de natureza pública deve ser deixado de fora.
  • A necessidade da criação de grupos técnicos que se comuniquem com a sociedade civil para aperfeiçoar os dados, estruturar esses dados, disponibilizá-los e garantir a melhor qualidade;
  • Experiências que promovem a interação entre sociedade e órgãos governamentais de forma direta, tais como o Laboratório Hacker e Hackathons, foram bastante elogiadas pelos participantes (ponto pra nós!);
  • A importância da governança dos dados abertos. A governança estabelece, por exemplo, responsabilidades, processos, promoção do uso de dados para a tomada de decisões, dentre outros aspectos;
  • A importância da coprodução e do engajamento: quanto mais pessoas trabalhando em cima dos dados, melhor a qualidade desses e dos resultados de forma geral;

Depois disso tudo, ainda tivemos o lançamento do CeWeb.br (Centro de Estudos sobre Tecnologias Web, dá uma olhada lá!). Mas isso foi bem no final, e eu tive que correr no meio pra pegar o voo de volta a Brasília. Participar do evento trouxe o conhecimento de experiências bem sucedidas, não só dos expositores, mas também do pessoal do governo de São Paulo. Foi um evento muito rápido mas intenso. Percebemos que muitos dos desafios enfrentados na realidade da Câmara são os mesmos de outros órgãos brasileiros e britânicos. 2015-03-25 19.19.20 2

Pedro Brandão

Pedro Brandão

Cientista da computação, apreciador de cervejas artesanais, das artes e de gastronomia. Servidor efetivo do Laboratório Hacker.

 

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